SÉRGIO CORTIZO - Mudanças Climáticas e Energia  
 
O PROBLEMA
O SISTEMA CLIMÁTICO
ENERGIA PRIMÁRIA
NOVAS TECNOLOGIAS
O IPCC-ONU
CONCLUSÕES DO 4º RELATÓRIO
CENÁRIOS DE EMISSÕES
PROJEÇÕES DO 4º RELATÓRIO
MITIGAÇÃO NO 4º RELATÓRIO
A AIE-OCDE
GEOPOLÍTICA
SOBRE O AUTOR

Variação da temperatura e alterações significativas registradas em sistemas naturais entre 1970 e 2004 (IPCC, 2007).

Variação da temperatura e alterações significativas registradas em sistemas naturais entre 1970 e 2004. (IPCC, 2007)

O PROBLEMA

O desafio das mudanças climáticas pode ser assim resumido: a humanidade tem 10 ou 20 anos, no máximo, para substituir a fonte primária de 80% da energia consumida pela economia mundial.

Isto porque atualmente quatro quintos da energia que sustenta a produção econômica total do planeta provém da queima de combustíveis fósseis: petróleo, carvão mineral e gás natural; e a poluição provocada por esta queima é a principal causa das mudanças climáticas:

Fontes primárias de energia da economia mundial em 2005. (Agência Internacional de Energia, WEO-2007)

Fontes primárias de energia da economia mundial em 2005. (Agência Internacional de Energia, WEO-2007)

Uma análise objetiva dos fatos climatológicos, econômicos, e geopolíticos nos mostra que será um grande desafio para a humanidade administrar bem o problema do aquecimento global.

É previsível uma crise econômica mundial profunda e prolongada, seja em decorrência dos esforços de mitigação das mudanças climáticas, seja pelo impacto direto dessas mudanças nos processos atuais de produção e consumo. O mais provável é uma combinação dos dois fatores.

Como ainda não percebemos alterações tão graves no clima, pode parecer que temos muito mais de 20 anos para substituir os combustíveis fósseis. No entanto, para compreender a urgência da situação é importante considerar a inércia do sistema climático: os efeitos da poluição demoram décadas para se manifestar em sua totalidade.

As concentrações atmosféricas dos gases de efeito estufa (GEE) já são sem precedentes nos últimos 650 mil anos, como vemos no gráfico abaixo:

Variações nos últimos 650.000 anos da temperatura e concentrações dos principais gases-estufa

Variações nos últimos 650.000 anos de deutério (delta-D, abaixo) no gelo antártico (indicador da temperatura local) e concentrações dos principais gases-estufa: CO2, CH4 e N2O. As faixas cinzas indicam períodos interglaciais relativamente quentes (IPCC-ONU, 2007)

E as emissões globais antrópicas (causadas pelo ser humano) desses gases continuam aumentando:

Emissões antrópicas globais dos principais gases de efeito estufa entre 1970 e 2004.

Emissões antrópicas globais dos principais gases de efeito estufa entre 1970 e 2004, em Giga-toneladas (bilhões de toneladas) de CO2-equivalente por ano. (IPCC, AR4, WG3)

Assim, o efeito acumulado de séculos de poluição despejada na atmosfera começa a se manifestar agora no clima do planeta de forma ACELERADA: nos últimos 25 anos a temperatura média do planeta subiu a uma velocidade 4 vezes maior do que nos últimos 150 anos:

Aceleração do aquecimento global

Aceleração do aquecimento global - Fonte: IPCC-ONU, 2007 (AR4, WG1, Cap.4, p.253)

A queima de combustíveis fósseis (mais de 80% da energia mundial) é responsável por mais da metade das emissões atuais de GEE, e também é difícil reduzir as emissões originadas de outros processos econômicos, como a agropecuária e o manejo do lixo. Assim, diminuir as emissões com a presteza necessária implicaria em reduzir a atividade econômica do mundo a uma fração do que ela é hoje.

Muita esperança tem sido depositada na criação de novas tecnologias energéticas, que permitiriam contornar o problema sem prejudicar o desenvolvimento econômico. Entretanto, uma análise objetiva do resultado das pesquisas científicas sobre geração de energia das últimas décadas não nos permite tanto otimismo.

Um pouco de reflexão nos mostra que 20 anos não é muito tempo: mesmo que ainda seja descoberta uma nova tecnologia que viabilize uma fonte "limpa" de energia primária, será um grande desafio substituir a tempo toda a estrutura econômica hoje adaptada à exploração desses combustíveis: veículos, plataformas de extração, refinarias, usinas termoelétricas, etc. Como afirmou a Agência Internacional de Energia (AIE) no seu relatório de novembro de 2007:

A principal escassez que o planeta enfrenta não é de recursos naturais nem de dinheiro, mas de tempo. (AIE, WEO-2007)

Já existem muitas evidências de que o clima está mudando rapidamente em várias regiões do planeta, mas não é uma tarefa fácil extrair deste conjunto de evidências uma conclusão bem fundamentada sobre o que de fato está acontecendo, nem tampouco determinar as causas destas alterações. Fazer previsões embasadas e confiáveis para o clima no futuro é ainda mais difícil.

Esta dificuldade e a preocupação crescente com as possíveis consequências das mudanças climáticas motivaram a criação em 1988 de um entidade internacional, no âmbito da ONU, para o acompanhamento da questão: o IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change - Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas).

Três Relatórios de Avaliação foram publicados pelo IPCC (em 1990, 1995 e 2001) com pouca repercussão na mídia internacional. No entanto, o quarto relatório (publicado em 2007) provocou um grande impacto, e iniciou um debate acalorado que deve continuar por vários anos.

Neste debate têm sido questionadas a gravidade e a urgência do problema, a forma como as conclusões foram apresentadas, a isenção do IPCC e mesmo a sua competência. Tal reação é perfeitamente compreensível (e até certo ponto previsível) devido aos enormes interesses políticos e econômicos em jogo.

Assim, além da complexidade técnica do problema, vemos hoje na mídia uma guerra de informação e contra-informação que dificulta bastante o entendimento mais profundo da questão das mudanças climáticas.

Neste contexto, o objetivo deste website é:



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